ADAR

                       


A.D.A.R.
ASSOCIAÇÃO DE DOENTES ALCOÓLICOS RECUPERADOS
 V.N. DE FAMALICÃO
 
"QUERO PORQUE POSSO"
 

BEM-VINDO

 

NOS PROBLEMAS LIGADOS AO ÁLCOOL E DROGAS ILÍCITAS

CONTACTE:

TEL.: 252 375 297 OU E-MAIL: adarvnf@walla.com


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Artigo sobre a nossa última sessão de esclarecimento em Ribeirão:

 

                   
 
 
 
 
Dezenas de pessoas em debate da Associação de Doentes Alcoólicos Recuperados
Exemplos de coragem
 
 
 
 
 
O Salão Paroquial de Ribeirão foi pequeno para acolher as dezenas de pessoas que assistiram a mais uma sessão de esclarecimento or­ganizada pela ADAR (As­sociação de Doentes Alcoó­licos Recuperados), decor­rida no passado dia 30 de Abril.
Subordinada ao lema "O Álcool e a Família" o debate, moderado por Gabriela Gonçalves, Directora do Viver a Nossa Terra, registou o testemunho novo de alcoólicos recuperados, um conjunto de pessoas que viveram durante anos e anos com o problema do álcool. Nos dias d« hoje, c após uma atitude de coragem e determinação, essas pessoas apresentam-se satisfeitas e como "novos seres huma­nos" por terem ultrapassado um problema que se estende ainda às suas famílias e ami­gos. Nesse sentido, o ambi­ente de emoção patente no debate foi reforçado com o testemunho de alguns fami­liares e amigos que alerta­ram, junto daqueles que vi­vem com o problema do al­coolismo, para não terem re­ceio nem vergonha de admi­tir que estão doentes e luta­rem para encontrarem uma solução.
Um conjunto de casos de pessoas recuperadas quer de Ribeirão, quer de fregue­sias vizinhas. 1 testemunho De doentes que lembraram os momentos de angústia, infelicidade e sofrimento vi­vidos ao longo de muitos anos. Testemunhos de pes-
soas que conheceram o tra­balho da ADAR, a quem ficou neste debate muitos agradecimentos pela sua existência e actividade.
O debate conto» ainda com um vasto painel de con­vidados que se debruçaram sobre o assunto baseando-se na sua actividade e experi­ência na resolução e con­fronto com este problema. O Presidente da ADAR, Abílio Costa, fez um breve historial do papel da associ­ação ma recuperação de muitos casos e convidou as entidades presentes a cola­borarem ao máximo neste importante trabalha de re­cuperação humana e social. Silva Marques, presidente da LIPAC (Liga de Profi­laxia e Ajuda Comunitária), um médico psiquiatra que há muitos anos está envolvi­do nestas problemáticas e tem dado apoio precioso à ADAR, abordou o tema fo­cando sobretudo o aumento do alcoolismo entre o públi­co feminino. Também real­çou a importância do envol­vimento das comunidades locais no apoio aos alcoóli­cos através da formação de clubes <de apoio que ajuda­rão a criar uma nova menta­lidade de aceitação do alco­olismo como uma doença que precisa de ser tratada e acom­panhada. Por seu turno. Santos Oliveira, presidente do CCDR (Clube de Cul­tura e Desporto de Ribei­rão) sublinhou a importân­cia de uma acção preventiva perante o problema do alco­olismo. Nesse sentido, lem-
brou que actividades de Ín­dole cultural e desportiva, fulcrais no desenvolvimento e ocupação de qualquer pes­soa são a melhor forma de prevenir situações de álcool, droga, depressão e ajudam a realização pessoal que torna as pessoas mais felizes e a sociedade mais equilibrada. A Enfermeira Madalena, da Extensão de Saúde de Ri­beirão e a Técnica Social da Câmara, Dra. Sofia Macha­do focaram aspectos de cariz técnico com base nas experi­ências que ambas vivem nos respectivos serviços.
Em representação do Núcleo da Cruz Vermelha de Ribeirão, Deolinda Silva enalteceu o papel do volun­tariado que cm todo o traba­lho social é absolutamente fundamental para O êxito de qualquer projecto.
Manuel Loureiro, Pre­sidente da junta de Fradelos, mostrou-se impressiona­do com o trabalho desenvol­vido pela ADAR e tanto ele como o representante da Jun­ta de Freguesia de Ribeirão, Manuel Augusto Pereira, manifestaram toda a dispo­nibilidade para colaborar com a associação.
O P. Manuel Joaquim destacou o esforço de todas estas pessoas envolvidas e referiu especialmente a "di­mensão espiritual que nos momentos difíceis ninguém esquece e que também nes­tes casos serve de apoio não só aos próprios mas também aos seus familiares para me­lhor superarem os proble­mas.
 
 
Testemunho Ribeirense
"Chamo-me Manuel António Miranda, tenho 37 anos de idade e sou natural de Rlbeirão. Fiz o meu trata­mento no Hospital de S. Marcos em Braga, por três vezes. Antes de fazer o tratamento fre­quentava todos os cafés, quando não tinha dinheiro pedia que me
pagassem e como achavam piada verem-me bêbado pagavam. Quando saía da cama pela manhã tremia todo, só parava no café para beber bagaço, só assim é que parava de tremer.
Após o primeiro e o segundo tratamento começei logo o beber. A D. Alice sempre que me encontrava falava da Associação. Na semana a seguir tornava a falar, mas como já estava embriagado dizia que sim mas nunca levei isso a sério.
Eu até tinha Vontade mas sozinha não era capaz. Cada vez mais sentia a falta do álcool e então mais bebia. Aconteceu de desmaiar e cair no chão várias vezes.
• O meu pai levou-me a um médico particular c este disse-me «tens que escolher ou a vida ou o álcool», caso não deixasse só durava dois meses. Desnorteado, che­guei a casa, peguei em alguns tostões e andei toda a noite.
Pela manhã no último café que entrei o senhor não me vendeu bebido disse-me: vai-te embora, tu já estás bêbado. Virei as costas e caí no chão sem sentidos. Quando a ambulância chegou levaram-me para o Hospital de Famalicão. Daí fui levado para o Hospital de S. Marcos cm Braga. Espumava pela boca.
Estive lá internado quatro semanas. Nos primeiros dias foi difícil porque entrei em coma e depois em delírio e não dizia coisa com coisa. A seguir trouxeram-me novamente para o Hospital de Famalicão mais duas semanas.
Quando vim para casa sentia um vazio e ama tristeza dentro de mim. Cheguei a caminhar pelos montes quase cinco horas a pensar na minha vida. Nus primeiros dias eu nem me sentava ã mesa para comer, porque na minha familia todos bebiam álcool e tinham-na à mesa.
•No primeiro sábado depois de eu chegar do Hospital fui ter com a D. Alice c o Sr. josé e disse-lhes que aceitava ser levado para a ADAR. Quando lá chega­mos o Sr. José apresentou-me a várias pessoas que também passaram pelo mesmo e que me iam ajudar.
Agradeci e hoje sinto-me bem neste grupo que sempre que possa frequento. No próximo més de Agosto faz quatro anos que eu dei este grande passo.
Nunca mais bebi bebidas alcoólicas, foi muito difícil mas com a ajuda destas pessoas eu consegui.
Sínto-me Verdadeiramente um Homem."
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ADAR
 
 
 
 
 
 
Semanalmente
existe uma reunião
de terapia para os
doentes alcoólicos,
aos sábados das
15h30 às 16h30, e
mensalmente, no
primeiro domingo
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QUE POSSO
ADAR
tes encontros os do­entes podem con­tar os seus proble­mas, são aborda­dos assuntos de in­teresse para toda a familia e também tentam dar solu­
 
 
de cada mês, tem
lugar uma reunião para a familia desses
doentes, das 1 4h30 às I8hOO. Estas
reuniões têm lugar na sede da ADAR,
junto às Lameiras, em Famalicão. Nes-
ções a problemas que surjam. Informa-se que a LIPAC pretende até meados do próximo mês de Julho abrir um Clube de Alcoólicos Tratados.
 
 
 
 
                   

 



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